Caos Ordenado

Como (ainda) nascem os cartazes de rua

Como funcionam as gráficas que produzem um tipo de publicidade que está bem longe de levar prêmio em Cannes.

Nas grandes cidades, você passa por eles e nem repara. São como os banners na web: quanto mais espalhafatosos, mais invisíveis e/ou irritantes. Mas, isolados, até que os cartazes de rua são bem interessantes. O vídeo acima mostra como são feitos. Não é exatamente como os cartazes de propaganda da velha União Soviética, mas dá pro gasto.

A arte de descomunicar-se

Ao passar um mês inteiro sem celulares, blogs, twitters e conversas fiadas, você começa a perceber como, afinal, funciona a comunicação.

Bertolt Brecht
O dramaturgo Bertolt Brecht, que queria que seu teatro deixasse claro para as pessoas que elas assistiam a uma ilusão.

Já faz uns 4 anos que costumo reservar o mês de janeiro para fazer retiro. Para alguns, isso pode soar new age ou hippie. Para outros, uma espécie de férias. Mas não se trata disso.

O que, afinal, eu faço durante esse período?

Para simplificar, seguindo as instruções de um professor qualificado, dou uma espécie de pausa em alguns dos meus padrões habituais de comunicação. Durante um mês, nada de celular, Twitter, blogs e até mesmo conversas fiadas.

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Mais ideias sobre o futuro das revistas

Vídeo experimental mostra como funcionariam publicações touchscreen

Vídeo conceitual criado pelo coletivo / agência britânica BERG (aqui, eles mostram os bastidores da produção). Os autores tentaram recriar ao máximo a experiência de ler revistas, mas incluiram as vantagens de lidar com aparelhos touchscreen. Continuo achando que talvez a própria web irá para esse caminho.

Via The Guardian.

A escola onde se questionava absolutamente tudo

O trailer de um filme (que não existe) sobre a universidade de Nalanda, na Índia

Acima, animação meio queima-filme criada para explicar Nalanda para os turistas de hoje em dia.

Da série “Projetos que eu não tenho dinheiro, tempo e nem competência para realizar”: o roteiro para trailer de um filme chamado A Universidade.

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Tela preta. Som abstrato de muitas vozes falando ao mesmo tempo. Aparece o letreiro:

Bihar, India, 600 DC.

Três monges correm por corredores estreitos e escuros. Parecem ansiosos. Procuram por alguém.

Monge 1 — Ele desapareceu novamente?
Monge 2 — Eu disse que não poderíamos confiar nele.
Monge 1 — Mas ele é aluno de Buddhapālita, não deve ser um estúpido.
Monge 2 — Não importa. Nós precisamos de leite pro café da manhã. Daqui a pouco todos os Monges vão descer. E aí ninguém vai querer saber de quem ele é discípulo. Vão querer a comida na mesa. Seremos punidos.

Os monges continuam revirando os corredores. O terceiro, que estava mais longe, grita para os outros:

Monge 3 — Está aqui!

Eles correm e se apoiam no canto da porta, espiando o que acontece numa gigantesca sala, na qual se pode ver uma pintura que cobre toda a parede. Close nas expressões dos monges, que agora parecem surpresos.

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Qual é o impacto ambiental do tedio?

Os conceitos fazem mais estrago no planeta do que os motores

stalker

Quando falamos de sustentabilidade, sempre pensamos em árvores, animais, rios e emissão de carbono. Mas o que o Facebook, o sexo, o cristianismo, o tédio ou qualquer outra ideia tem a ver com isso? Muito. É que há pelo menos dois outros tipos de ambientes, além do físico:

O ambiente emocional — que lida com as relações psicológicas que temos com nossos corpos, com as pessoas e com os processos do planeta.

O ambiente cognitivo — os sistemas vivos próprios da linguagem, dos conceitos.

Os três são inseparáveis. Funcionam numa relação complexa e nada harmoniosa. Um sabota o outro, que responde com novos padrões de criatividade, destruição e reajuste. Por exemplo, o tédio não deixa de ter implicações ecológicas.

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O dia em que atiraram num dramaturgo

Rápido texto de ficção em homenagem ao escritor Mário Bortolotto

Mario Bortolotto

Sem querer dar uma de blog-uruca, que só fala sobre desgraças, hoje tenho que esbarrar no assunto novamente. É que um amigo que não vejo faz algum tempo foi baleado. Trata-se do dramaturgo Mário Bortolotto. Pelas notícias, parece que ele está no hospital, se recuperando. Marião, sei que não significa muito, mas em sua homenagem, vou publicar o primeiro texto de ficção que escrevi em cerca de 6 ou 7 anos. Fico torcendo por você aqui.

Não é possível tomar partido por muito tempo

Um tímido sol apareceu entre duas ou três sombras de prédios da Sta. Cecília. Ele funciona como uma espécie de outdoor, lembrando certas pessoas de que não há nada mais a fazer senão tomar um pingado, devidamente pendurado em alguma conta, e ir pra casa dormir.

Mas não naquela manhã.

Eu vigiava de longe, enquanto o dramaturgo enxugava as últimas gotas do seu café. Ele olhava o fundo do copo, como que tentando achar uma borra para ler o destino. Afinal, seu destino era quase que esse mesmo: tentar criar interpretações e narrativas a partir de borras de gente e situações.

O dramaturgo encostou a boca do copo nos olhos e ficou olhando as pessoas através do vidro. Deve ter visto uma figura distorcida, que entrava entre convicto e hesitante, puxando algo de dentro da jaqueta. Assim que o copo americano se espatifou no chão, o dramaturgo teve tempo de encontrar uma descrição para o que havia acabado de acontecer: fora baleado.

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Morrendo on-line

Se a internet vem mudando a vida, por que não influenciaria a morte?

morte

O folclórico locutor do SBT conhecido como Lombardi morreu hoje. Obviamente, surgiram piadas e “homenagens irônicas” no Twitter, Orkut e Facebook. Havia quem perguntasse: quantos minutos vai demorar para aparecer um falso Lombardi no Twitter? Outros diziam que “com a morte de Lombardi e de Herbert Richards, nossa infância se foi”. São as velhas piadas de velório, agora com uma hashtag (#) na frente.

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Processador de texto antiestresse

Escreve textos new-age? O Ommwriter é o programa ideal para você

Não há muito o que inovar na área de processadores de textos, certo? Errado. Os desenvolvedores do Ommwriter inventaram o aplicativo ideal para escritores estressados. A ideia é criar todo um ambiente calmo e inspirador para soltar a criatividade. Veja acima. Não sei porque, mas acho que isso funcionaria melhor no Excel e Outlook.

via Cult of Mac.

Memepool versus Twitter

Site com textos curtos e curadoria de links? Não estamos falando do Twitter, mas do Memepool. Lembra?

dilbert

Memepool – Desde de a Era TCP-IP-olítica, os sites que fazem curadoria estão entre os mais populares da internet. São publicações cujo principal objetivo é descobrir e compartilhar links. Alguns dos mais visitados existem há cerca de 10 anos —como o Boing Boing e o Slashdot. Mas, de 1998 a 2008, o Memepool reinava entre os geeks mais puristas. Ele trazia algo que até então era novidade: posts extremamente curtos, quase alí, nos tais 140 caracteres. O site ainda está no ar, mas não é atualizado há um ano. Um dos fundadores, Joshua Schachter, continua escrevendo. Já Jeff Smith aparentemente sumiu.
Twitter – Semana passada, os criadores do Twitter mudaram o slogan do site: de “o que você está fazendo?” para “o que está acontecendo?”. Essa alteração oficializou aquilo que já sabíamos: boa parte dos usuários do Twitter usa a ferramenta para fazer curadoria de links (a nova moda do futuro). Em especial, porque o formato textos curtos + agilidade de publicação e discussão, tende a ser divertido, pelo tom descompromissado de conversa de boteco. Muitos perfís no Twitter se tornaram parecidos com aquilo que foi o Memepool. Será que o site voltará um dia?

Nova seção no Caos Ordenado: Pré-pós. A ideia é falar rapidamente de coisas tão velhas que parecem novas. Imagem via Dilbert.com

Krautrock, o renascimento da Alemanha

Documentário da BBC contextualiza o som de bandas como o Kraftwerk, Tangerine Dream e Can.

kraftwerk

Eu já havia recomendado no Twitter, mas vale lembrar: a BBC fez um documentário sobre o chamado Krautrock. Esse é o apelido um tanto pejorativo usado por críticos musicais não-alemães para se referir a bandas germânicas tão diferentes entre si quanto Kraftwerk, Tangerine Dream e Can.

Basicamente, o programa mostra integrantes das bandas visitando bares e estúdios importantes para eles nos anos 70. E argumentando que sua música, de algum jeito, significava uma tentativa de exorcizar os demônios do pós Segunda Guerra Mundial.

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