Novo podcast na área: Atrás do Front. A ideia é entrevistar gente que trabalha com comunicação no dia-a-dia. Pessoas com experiências reais, que colocam a mão na massa. O convidado desse episódio é Pablo Miyazawa, o editor-chefe da versão brasileira da revista Rolling Stone. Conversamos sobre como é se virar na imprensa independente do Brasil, games, redes sociais, algorítimos e outros etecéteras.

Ouça no Mix Cloud ou baixe o arquivo mp3.

PS— Não foi possível eliminar os barulhos do headset que o Pablo usou durante a gravação. Mas o som está perfeitamente inteligível.

Querendo sair do Wordpress e experimentar geradores de sites estáticos, como Jekyll, Nanoc, Kirby, entre outros? Primeiro analise se esse tipo de aplicativos combina com seu jeito de trabalhar.

Mais um texto Magaiver style no Gizmodo. Sobre e-mails:

Para você, lidar com e-mails é um tédio ou até um desespero? Talvez você não esteja aplicando seus poderes de geek nesse ponto específico da sua vida. Afinal, como um bom geek, você sabe pelo menos 4 coisas:

  1. Identificar rapidamente para que serve uma determinada ferramenta — o CD player não é “apoio de caneca de café”.
  2. Aprender padrões — sabe que não precisa clicar duas vezes para abrir um link.
  3. Automatizar ou simplificar tarefas — em vez de passar o mouse lentamente por toda a tela e clicar num botão para atualizar uma página na web, usa apenas a tecla F5.
  4. Tecnologia pode ser algo divertido e não um obstáculo.

Então por que você continua checando e-mails como sua avó o faria?

Leia o resto no Gizmodo. Ou acompanhe meus todos os meus textos por lá.

Caro produtor de conteúdo,

Por favor, leia estas palavras com generosidade: produzir e compartilhar conteúdo na internet não é assim tão importante.

Sério. Sem sarcasmo.

Sei o que dizem por aí sobre a pluralidade da web. Também sei como é sentir-se solitário e medíocre. Quando estamos nesse estado emocional, ruminamos o tempo todo. Achamos que nossos empregos são restritivos, que nada nos acontece de especial. Questionamos até nossos amigos: não temos aqueles que gostaríamos de ter, não atraímos quem gostaríamos de atrair.

Assim, queremos criar nossos mundinhos perfeitos na web.

Mas nós sabemos que produzir conteúdo na internet não vai resolver esses problemas. Pelo contrário, pode piorá-los.

Você pode ficar escravo da insegurança digital. Pode passar o dia inteiro investigando o Google Analytics, contando seguidores no Twitter, tentando entender a repercussão daquilo que diz nas redes sociais.

Essa prática vai consumir seu tempo e energia. E é provável que não sobre entusiasmo para fazer aquilo que seria realmente essencial para produzir um bom conteúdo: pesquisar, editar e revisar.

Li seu texto. Vi seu vídeo. Ouvi sua música. Evidentemente, você estava ansioso para publicar o material. Não teve paciência para amadurecê-lo. Quis queimar etapas.

Eu percebi. E você também: você mal conseguia concatenar as ideias. Não se preparou, não se preocupou. Assim, o conteúdo ficou permeado de insegurança, vergonha e culpa.

É claro que, geralmente, não se consegue formar público por meio da negligência. Se você não dá amor, não o recebe, diria um escritor de autoajuda. E, então, percebendo-se ignorado, você fica ainda mais depressivo. Ou ressentido.

Obviamente, há espaço para experimentação, para rascunhos ousados, para correr riscos. Também não existe uma fórmula perfeita e infalível para garantir que um trabalho esteja “pronto”. A vida é beta, dizem. Mas não racionalize: no fundo, você sabe que teve preguiça e quis publicar logo. Não há como fugir da sua motivação.

É por isso que lhe pergunto: afinal, qual é sua real paixão? Produzir conteúdo ou tentar manipular repercussões?

Lembre-se: ninguém precisa publicar na web. Ficar calado, às vezes, é um alívio. Não se trata de omissão, apenas de viver segundo outros paradigmas. É certo que nossa sociedade valoriza o falatório. Mas também há felicidade fora do mundo do discurso. Talvez apenas tenhamos medo de tentar.

Não precisamos desse dualismo: estar no palco ou na platéia. Podemos viver sem esses pontos de referência rígidos. Por que carregar mais esse fardo?

Se, por algum motivo, para você for inevitável carregá-lo, pelo menos pague o preço. Não exagere, mas não pule etapas. Antes de publicar, cuide da sua criação. Falo com você. Mas falo especialmente para mim mesmo.

Sinceramente, Eduardo Fernandes.

Há menos de 15 anos, não era tão fácil encontrar filmes de ficção científica passando no cinema. Tínhamos blockbusters, como Star Wars, uma ou outra produção inspirada em textos de Philip K. Dick e alguns cult movies. Mas, com sorte, veríamos um ou dois lançamentos de sci-fi por ano. Hoje, talvez esse número tenha aumentado para um a cada dois meses.

Pudera: agora há telas e computadores por toda parte. A própria sociedade está mais sci-fi. Assim, os filmes parecem cada vez mais “comuns”. Por exemplo, você assiste aos drones de Oblivion e pode pensar: “hmm, eles não são tão ficcionais assim. Eu mesmo posso construir um em casa”. As interfaces lembram as do iPad. Veículos que se autodigirigem já existem, motocicletas endiabradas andam por aí.

Falta imaginação à atual geração de diretores? Não sei. Mas parece que ela se concentra numa dimensão bem específica da sci-fi: a invenção de equipamentos. Por isso, prefiro dizer que filmes como Oblivion, Iron Man, entre outros, representam outro gênero, o dos gadget movies.

Stanley Kubrick criava computadores emocionalmente complexos e paranóicos. Ridley Scott usava um cenário de distopia tecnológica / urbana para contar uma história de (máquinas) minorias buscando identidade e espaço social. Steven Spielberg imaginava a ciência e sua parafernália falhando na tarefa de tornar dinossauros palatáveis para o estilo de vida da classe-média norte-americana. Para o bem e para o mal, a “velha guarda” da sci-fi parecia humanizar mais os computadores e até o conhecimento.

De modo geral, os gadget movies têm uma visão muito utilitária, fria, funcional ou até estritamente visual da tecnologia. Parecem ter “desantropomorfizado” a coisa toda. E aumentado a velocidade. Não é por acaso que brincadeiras como o vídeo abaixo surgem no YouTube: como seria o trailer de 2001, Uma Odisséia no Espaço, se feito hoje em dia. Assista, por favor.

Tenho a impressão — nada científica — de que nossa época sofre dos desafios da intimidade: quando convivemos muito com algo, tendemos a enxergar esse “outro” de maneira parcial e simplista, de acordo com nossos interesses mais imediatos. Como um colega de trabalho que é desumanizado para ser visto apenas como um aborrecimento ou ameaça. Assim, nos gadjet movies, reduzimos a tecnologia de volta ao nível da ferramenta, que usamos para cultivar nossa velha e estranha paixão pela agressividade: do bate-boca às perseguições em naves espaciais.

Talvez a chegada da sci-fi ao mainstream venha a inspirar certo saudozismo. Talvez algum diretor geek sinta vontade de resgatar os primórdios e meados do gênero, mais psicológicos. Nesse tipo de cenário, autores como Mary Shelley, H. G. Wells e até os mais contemporâneos, como William Gibson e Kurt Vonnegut, ganhariam mais popularidade.

Mas seria realista pensar nisso? Depois de tantos anos dedicados a dar uma interpretação gadgética aos textos de Philip K. Dick, essa volta à ficção científica “clássica” seria sequer possível? Talvez apenas um futurista das antigas possa dizer.

Declaração de Brian Eno, no Red Bull Music Academy, segundo a revista Spin:

Eno falou sobre as formas como a tecnologia pode obstruir em vez de estimular a criatividade. Depois de assistir a um show de braços — que se levantaram quando o produtor questionou quantos dos jovens músicos presentes na platéia usavam primordialmente instrumentos analógicos — perguntou, retóricamente: “Não é interessante que, na segunda década do século 21, a maioria da música interessante é feita com instrumentos analógicos?”

Eno foi um dos músicos que popularizou o uso dos sintetizadores na música pop. Produziu Talking Heads, U2, Devo, Genesis, David Bowie, entre muitos outros, e até criou a música de início (boot) do Windows 95. Portanto, não deve estar se deixando levar pelo clichê de que a tecnologia evolui por substituição, por obsolescência.

Boa parte das tecnologias do passado ainda continua viva e influente. Seja como fenômeno cultural (steampunk, por exemplo), seja por meio do que poderíamos chamar de influência recursiva.

Explico: os criadores de instrumentos digitais tentam simular as qualidades dos analógicos. E, nesse processo, nos faz enxergar melhor aquilo que torna o equipamento analógico tão especial. A partir daí, a influência é mútua: a “digitalidade” evolui, mas não sozinha.

Empresas de instrumentos continuam pesquisando como melhor utilizar matérias primas e que tipo de conhecimento há por trás da intuição de certos fabricantes, artesãos e luthiers. Companhias de software investigam instrumentos vintage para entender suas caracerísticas. Até mesmo produtos considerados como fracassados na época do lançamento atraem curiosidade e devoção.

O encontro de duas “camadas tecnológicas” dispara diversos universos paralelos de criação, interdependentes e em constante diálogo. Surgem novos equipamentos, mas também novos sons, novas maneiras de tocar. Portanto, não há uma real oposição entre analógico e digital.

Mas há, sim, outro problema, este econômico, apontado pelo produtor Steve Albini: quando você grava um disco em fita, não precisa se preocupar com formatos de arquivos proprietários que não se conversam, com empresas de software que mudam políticas comerciais e com aplicativos que são atualizados de maneira duvidosa. Por outro lado, os métodos digitais de gravação hoje podem ser muito mais acessíveis. Simulação barata: não deixa de ser verdade.

Mas, mesmo depois de toda essa conversa, ainda sou obrigado a concordar: música feita por unidades orgânicas (pessoas) tocando instrumentos analógicos ainda soa muito melhor. Não é, Daft Punk?

Talvez você já tenha ouvido falar sobre Anil Dash (não confundir com Daniel Ash). Já faz alguns meses que ele publicou um artigo dizendo que a web que conhecemos está desaparecendo, dando lugar a ecossistemas de comunicação mais fechados e controláveis. O empreendedor foi além e deu uma conferência, em Harvard, que é, no mínimo, instigante.

Dash faz um rápido histórico da distribuição de conteúdo on-line, mostrando que, desde 2009, as mais populares interfaces da web seguem o estilo fluxo de informações. Quer dizer, posts organizados sequencialmente, do mais recente para o mais antigo. Blogs, Twitter, Tumblr, Facebook, Gmail, quase todo mundo abandonou o velho medo de publicar abaixo da dobra.

E, de repente, viramos todos scrollers. Basta ver alguém usando um smartphone: é uma constante luta entre o topo da tela e o seu fim — em alguns casos, considerado “infinito”. Em algumas interfaces para iOS, puxamos textos com o dedo, sujando a tela na esperança de encontrar mais informações. E, às vezes, ele volta ao topo, ignorando os nossos desejos.

Segundo Dash, as interfaces tipo fluxo talvez sejam uma das causas do incrível crescimento do compartilhamento de informação via web nos últimos 3 anos. Há outros fatores, claro, como a redescoberta da existência dos gatos e as seitas oCUTEstas. Mas não duvido que uma coisa realmente tenha a ver com a outra.

Na verdade, temos uma relação muito antiga com o consumo de fluxos de informações — quer dizer, de narrativas em movimento. Afinal, o que eram as listas de e-mail e os primeiros sites com longos artigos acadêmicos? Antes ainda: o que eram os murais da Mesopotâmia, as ruas de procissão da Babilônia, lidos por viajantes numa espécie de scroll horizontal? E os papiros?

Imagino que esse amor pelo consumo de informações em movimento tenha raízes no próprio funcionamento da mente. Os praticantes de meditação shamata, por exemplo, percebem que aquilo que chamamos de personalidade é um fluxo de pensamentos interconectados, em diversos estados de formação — uns mais elaborados, outros pré discursivos. Essa técnica permite observar empiricamente que dragamos informação o tempo todo. Selecionamos, criamos narrativas, nos deixamos levar por elas e, por força do hábito, constantemente buscamos por “novidades”.

Assim, provavelmente, os fluxos de informação — ou sua encarnação mais recente, as timelines — sejam as interfaces mais naturais que já conseguimos criar na história da humanidade. Se elas parecem aleatórias, dispersivas e viciantes, de alguma maneira, podem ser o reflexo da própria mecânica mental do autointitulado homo sapiens. Ou, a essa altura, homo scroller. E o que pode surgir agora? Voltar ao topo?

Publiquei mais um texto no Medium. É sobre o sucesso do Record Store Day:

Tecnologias não morrem exatamente. Movem-se para nichos e tornam-se sagradas — quer dizer: viram alvo de algum tipo de culto. É o que Kevin Kelly explica em seu livro, “What Technology Wants”: as tecnologias sobrevivem e continuam se desenvolvendo como fenômenos culturais. Talvez você não use uma faca de pedra no jantar, mas pode perder algumas refeições para colecionar aqueles artefatos antigos.

O que deixa as tecnologias doentes é a falta de significado. Quando elas se tornam apenas ferramentas, podutos sem vida produzidos em massa, ficam progressivamente obsoletas. Mas, depois de algum tempo, geralmente alguém resgata o significado daquele produto. E isso a conecta a grupos de afins. É por isso que ainda são lançados games de 8-bits, que existem fãs de steampunk e colecionadores de vinil.

Leia o resto (em inglês), no Medium.

Ontem aconteceu uma coisa engraçada: fui liberado para escrever no Medium, a nova empreitada de um dos criadores do Twitter e do Blogger, Evan Williams. Então fui lá e escrevi Haunted by Opinions.

Waaal, meu Inglês não é lá essas coisas. Mas a cara de pau é. Então, continuarei publicando. Até porque o Medium é um dos mais simples publicadores com o qual já lidei. É como se você editasse o texto direto no template em que ele será lido — uma daquelas ideias tão boas que parecem completamente óbvias depois de implementadas.

O time de Williams começou a investir pesado na chamada longform writing, o que nós, brasileiros, conhecemos por essa expressão um tanto sufocante, “escrita de fôlego”. Quer dizer, textos mais elaborados e, às vezes, longos (não é que o autor escreva prendendo a respiração, aparentemente).

Venho acompanhando essas movimentações. Não só o Medium, mas também Aeon Magazine, Longform, Atavist, Longreads e tantas outras publicações, aplicativos e serviços. Nada tem me impressionado, strictu sensu. Mas tenho achado coisas interessantes, que venho divulgando no Caos Ordenado e na PlainTXT. Então, continue ligado aqui. E agora no Medium, zifio.

Update— Agora entendo o que aconteceu: começaram a aparecer textos em outras línguas no Medium. Williams deve estar experimentando como atender à possível demanda internacional que deve surgir quando o site for aberto de vez.

Deu no The Atlantic: criaram um detector de Churnalism. A ferramenta vem em duas versões: um aplicativo on-line e uma extensão para Chrome. É possível até comparar se uma determinada passagem do press release foi usada fora de contexto. O Media Standards Trust também tem uma ferramenta parecida.