Ativistas ligados ao Occupy Wall Street querem invadir casas desapropriadas

A coisa está ficando séria. Ativistas agora querem invadir casas desapropriadas ou vazias. Diz o The Guardian:

Thousands of Occupy protesters across the US will occupy foreclosed homes today, in what organisers are describing as a “new frontier” for the movement.

In New York, Occupy Wall Street has teamed up with local activist groups to secretly occupy an empty home, and plan to hand the property over to a homeless family. Similar action is scheduled in more than 20 other cities.

Até agora, parte da classe-média consegue digerir o movimento Occupy Wall Street. Mas quando começam invasões de propriedades, a coisa fica impopular. Será o começo do fim dos protestos?

Você vive no passado

80 milisegundos no passado, para ser mais preciso. É mais ou menos o tempo que leva para a um estímulo sensorial ser processado pela consciência. Pelo menos é o que diz o post no site da Discovery, via David Eagleman.

Eu tinha prometido a mim mesmo que não ia mais indicar artigos de “divulgação científica” sem documentação ou contextualização – que são uma espécie de small talk para geeks. Mas não pude resistir a associar essa ideia aos 5 Skandhas, clássica técnica de análise da consciência, ensinada no budismo.

Ok. Corro o velho risco de levantar a placa de “os budistas já sabiam”, para me sentir esperto.

Ainda assim, vale despertar a atenção para outro tipo de conhecimento que descreve a consciência como um processo cheio de micro-relaxões complexas. E ilusórias: você coça a cabeça e acha que isso é um fato único, acontecendo agora, quando, na verdade, é uma série de atividades descontínuas mas interconectadas, produzidas em tempos diferentes.

Professores como Chogyam Trungpa Rinpoche garantem que meditadores experientes conseguem perceber esses processos em andamento*.

*Esse assunto está no “Talk 3: State of Mind”. Mas é bom assistir a todos os vídeos.

Via BoingBoing.

Sacrifique-se pelo capitalismo

(…) I want to suggest that we put in motion a similar undertaking: On January 16th, Martin Luther King Day, citizens from around the country should gather at the New York Stock Exchange on Wall Street. Let’s call this macabre gathering—with luck and even worse times, it should be mammoth—”We Surrender” or “Restore Debtor’s Prisons” or “De-Fault Is Ours” or “Collateralize Us.” And plan on a mirthful day of mourning.

The basic idea is that we offer ourselves up, 99 percent of us anyway, on the altar of high finance as a sacrifice to the bond markets.

Steve Fraser sugere um novo tipo de Occupy Wall Street. Render-se e sacrificar-se pelo bem do capitalismo.

É claro que é brincadeira. Mas acontece de verdade no Tibet, com monges extremamente perturbados e confusos.

Se já é trágico na Ásia, imagine esse tipo de manifestação em New York. Iria desenterrar de vez o Michael Foucault (PDFzinho pra vocês).

Câncer chegou à comédia romântica

O câncer chegou ao reino da comédia romântica. Agora que é uma doença cada vez mais comum — digamos, a doença da era do consumo pós-industrial —, é natural que a sociedade comece a fazer piada sobre o assunto. Quer dizer, passamos da fase da negação para a da aceitação. Eu já cheguei a presenciar esse diálogo:

— Qual é o seu tipo de câncer?
— É o da Dilma.
— Pensei que era o do Giannechini.
— Não. Esse é raro. Minha prima tem esse.

Por aí vai.

Tudo é grid: entrevista com Khoi Vinh, ex-New York Times

Boa entrevista em vídeo com Khoi Vinh, que foi diretor de design do New York Times por 4 anos. Ele fala sobre um dos assuntos que o tornaram famoso: o uso de grids para criar design na web — hoje, técnica mais disseminada do que as dívidas bancárias.

De quebra, discute a importância dos letristas nas histórias em quadrinhos.

Pena que não falou sobre a sua mais recente ideia, a de um novo tipo de profissional, o designer de experiências editoriais.

Via The Color Machine.

Levante a bunda dessa cadeira

There’s one item I add to my list every day that helps me get things done and keeps me happy: “15 minutes of non-digital creativity” (…). I find that taking 15 minutes to do something non-digital, like whittling a spoon, playing with clay, or sketching, is a great way to improve my mood and to make all my work-related stuff seem less urgent. I usually schedule it about halfway through the to-do list, so that I have a treat to work towards in the early afternoon, when I’m starting to burn out.

Dica de produtividade de Mark Frauenfelder, um dos criadores do BoingBoing, o oitavo blog mais acessado do mundo.

Eu uso essa técnica frequentemente: passar um tempo criativo longe do computador. O engraçado é que esse tempo está cada vez maior. Às vezes, dá preguiça de voltar.

Parece ruim, mas não é. Cria perspectiva.

Quando mais tempo on-line você fica, mais afrouxa o critério do que é ou não interessante na web. Começa a compartilhar uma série de coisas de gosto duvidoso, textos pseudocientíficos mal documentados e piadas sem graça.

Gasta mal o tempo, só porque está no ritmo da máquina, no fluxo da informação.

Há dias em que eu circulo pela web e vou separando material para ler. Levanto-me e saio por um tempo. Quando volto, acabo compartilhando praticamente nada, pois pouco material parece interessante o suficiente para recomendar aos meus leitores.

Afinal, penso em vocês como se fossem colegas de trabalho na mesa ao lado. Só vou interrompê-los se achar que vale a pena. Não há nada mais constrangedor do que alguém que pede sua atenção a toda hora, por motivos fúteis.

Por mais que uma fonte de informação seja boa, geralmente produz gordura. Porque, quanto mais ficamos no loop comportamental das redes sociais e blogs, mais tendemos a atuar no piloto automático. Quando percebemos, já opinamos sem fundamento, reclamamos por pura ranhetice ou compartilhamos bullshit.

Levantar para respirar é como “contar até 10″ na hora da raiva. No mínimo, evita constrangimentos.