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	<title>Caos Ordenado</title>
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	<description>Nem faz sentido. Nem deixa de fazer</description>
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		<title>Como (ainda) nascem os cartazes de rua</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Mar 2010 21:53:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[urbano]]></category>

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		<description><![CDATA[Como funcionam as gráficas que produzem um tipo de publicidade que está bem longe de levar prêmio em Cannes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="720" height="540"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=9929773&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=1&amp;color=FF7700&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=9929773&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=1&amp;color=FF7700&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="720" height="540"></embed></object></p>
<p>Nas grandes cidades, você passa por eles e nem repara. São como os banners na web: <strong>quanto mais espalhafatosos, mais invisíveis e/ou irritantes</strong>. Mas, isolados, até que os cartazes de rua são bem interessantes. O vídeo acima mostra como são feitos. Não é exatamente como os <a href="http://images.google.com.br/images?client=safari&#038;rls=en&#038;q=soviet+propaganda+posters&#038;oe=UTF-8&#038;redir_esc=&#038;um=1&#038;ie=UTF-8&#038;ei=w82SS4HTN42JuAeZlIGxAw&#038;sa=X&#038;oi=image_result_group&#038;ct=title&#038;resnum=1&#038;ved=0CBcQsAQwAA" target="blank" rel="rel">cartazes de propaganda da velha União Soviética</a>, mas dá pro gasto.</p>
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		<title>A arte de descomunicar-se</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 16:31:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao passar um mês inteiro sem celulares, blogs, twitters e conversas fiadas, você começa a perceber como, afinal, funciona a comunicação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://caosordenado.com/wp-content/2010/02/bertolt.jpg" alt="Bertolt Brecht" title="bertolt" width="718" height="353" class="alignnone size-full wp-image-914" /><br />
<em>O dramaturgo Bertolt Brecht, que queria que seu teatro deixasse claro para as pessoas que elas assistiam a uma ilusão.</em></p>
<p>Já faz uns 4 anos que costumo reservar o mês de janeiro para fazer retiro. Para alguns, isso pode soar new age ou hippie. Para outros, uma espécie de férias. Mas não se trata disso.</p>
<p>O que, afinal, eu faço durante esse período?</p>
<p>Para simplificar, seguindo as instruções de um <a href="http://pt.chagdud.org/lamas-associados/jigme-tromge-rinpoche.html" target="blank" rel="rel">professor qualificado</a>, dou uma espécie de pausa em alguns dos meus padrões habituais de comunicação. Durante um mês, nada de celular, Twitter, blogs e até mesmo conversas fiadas.<span id="more-913"></span></p>
<p>Mas isso não implica necessariamente em silêcio. Pelo contrário: quando você cala sua boca, aí começa a enxergar melhor como funciona a comunicação.</p>
<h3>Pausa? Que pausa?</h3>
<p>Na verdade, não existe uma pausa perfeita. Quando você se propõe a parar de seguir seus hábitos automáticos, estes correm atrás de você.</p>
<p>De repente, você começa a perceber que tipo de comunicação estabelece consigo mesmo. Ou seja: como funciona a conversa &#8220;interior&#8221; que influencia e determina sua ação &#8220;exterior&#8221;. É como se o seu cérebro fosse tomado pelo Google Analytics.</p>
<p>Você descobre que praticamente não está no controle da sua própria fala. Com alguma sorte, experimenta o quão tensa, limitada e ineficiente pode ser sua comunicação. Mesmo que seja o mais esperto dos jornalistas, o mais eficiente publicitário ou o mais &#8220;profundo&#8221; escritor.</p>
<h3>Auto-hipnose</h3>
<p>No cotidiano, sequer temos tempo e oportunidade para perceber essas coisas. Nos perdemos em senhas, novidades tecnológicas e possibilidades de criação.  É tudo tão automático que um discurso como esse que você está lendo agora soará paranóico ou inútil.</p>
<p>Tudo é tão hipnótico que perdemos o costume e o interesse em perguntar: <em>por que</em> comunicar? É como ir ao cinema e esquecer que assistimos a uma ilusão. Pode ser divertido, mas, cedo ou tarde, você terá que sair da sala. Ou alguém vai expulsá-lo.</p>
<p>Obviamente, iPad, celulares e demais aparelhos não produzem compreensão sozinhos. Mas produzem sim mais palavras e hábitos de comunicação. Muitas vezes, acabamos usando essas tecnologias só porque as compramos e temos certo prazer em brincar com elas. E, assim, mesmo que não tenhamos exatamente o desejo de nos comunicar, produzimos causas e consequências dos ruídos de comunicação. De repente, nos vemos completamente ocupados gerenciando <a href="http://colunistas.ig.com.br/magaiver/2008/03/26/existe-spam-voluntario/" target="blank" rel="rel">spams voluntários</a>.</p>
<h3>Estranhamento</h3>
<p>No caso da internet e da comunicação digital, até que o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/V-effekt" target="blank" rel="rel">efeito V</a> de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bertolt_Brecht" target="blank" rel="rel">Bertolt Brecht</a> (foto acima) poderia voltar à moda, não acha? Como comunicar mostrando as ilusões da comunicação?</p>
<p>Um pouco de ceticismo em relação ao rítmo e contexto da comunicação —digital ou off-line— poderia nos levar a perceber a quem ou a o quê, afinal, estamos servindo quando disparamos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Meme" target="blank" rel="rel">memes</a> pelo universo.</p>
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		<title>Mais ideias sobre o futuro das revistas</title>
		<link>http://caosordenado.com/mais-ideias-sobre-o-futuro-das-revistas/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 08:40:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[design]]></category>

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		<description><![CDATA[Vídeo experimental mostra como funcionariam publicações touchscreen]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="720" height="405"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=8217311&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=8217311&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="720" height="405"></embed></object></p>
<p>Vídeo conceitual criado pelo coletivo / agência britânica <a href="http://berglondon.com/" target="blank" rel="rel">BERG</a> (<a href="http://vimeo.com/8220802" target="blank" rel="rel">aqui</a>, eles mostram os bastidores da produção). Os autores tentaram recriar ao máximo a experiência de ler revistas, mas incluiram as vantagens de lidar com aparelhos touchscreen. <a href="http://caosordenado.com/tablet-magazines-novo-estilo-de-revista/" target="blank" rel="rel">Continuo achando que talvez a própria web irá para esse caminho.</a></p>
<p>Via <a href="http://www.guardian.co.uk/technology/blog/2009/dec/18/berg-bonnier-magplus" target="blank" rel="rel">The Guardian</a>.</p>
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		<title>A escola onde se questionava absolutamente tudo</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 17:59:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O trailer de um filme (que não existe) sobre a universidade de Nalanda, na Índia]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="720" height="426"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/k7UR9UEY79k&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/k7UR9UEY79k&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="720" height="426"></embed></object></p>
<p><em>Acima, animação meio queima-filme criada para explicar Nalanda para os turistas de hoje em dia.</em></p>
<p>Da série &#8220;Projetos que eu não tenho dinheiro, tempo e nem competência para realizar&#8221;: o roteiro para trailer de um filme chamado <strong>A Universidade</strong>.</p>
<p>* * * * *</p>
<p>Tela preta. Som abstrato de muitas vozes falando ao mesmo tempo. Aparece o letreiro:</p>
<p class="indent">Bihar, India, 600 DC.</p>
<p>Três monges correm por corredores estreitos e escuros. Parecem ansiosos. Procuram por alguém.</p>
<p class="indent">Monge 1 — Ele desapareceu novamente?<br />
Monge 2 — Eu disse que não poderíamos confiar nele.<br />
Monge 1 — Mas ele é aluno de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Buddhap%C4%81lita" title="Buddhapālita - Wikipedia, the free encyclopedia" target="blank">Buddhapālita</a>, não deve ser um estúpido.<br />
Monge 2 — Não importa. Nós precisamos de leite pro café da manhã. Daqui a pouco todos os Monges vão descer. E aí ninguém vai querer saber de quem ele é discípulo. Vão querer a comida na mesa. Seremos punidos.</p>
<p>Os monges continuam revirando os corredores. O terceiro, que estava mais longe, grita para os outros:</p>
<p class="indent">Monge 3 — Está aqui!</p>
<p>Eles correm e se apoiam no canto da porta, espiando o que acontece numa gigantesca sala, na qual se pode ver uma pintura que cobre toda a parede. Close nas expressões dos monges, que agora parecem surpresos.<span id="more-878"></span></p>
<p>Tela preta novamente. Ainda sons de vozes. Mas agora um pouco mais reconhecíveis. Parecem vir de centenas pessoas discutindo ao mesmo tempo. Surge o texto:</p>
<p class="indent">Durante quase 800 anos, existiu uma escola&#8230;</p>
<p>Voltamos para a grande sala. Entre os detalhes do mural, há a pintura de uma vaca. Vemos um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Candrak%C4%ABrti" target="blank" rel="rel">quarto monge</a> sentado ao lado. Ele segura uma tijela e faz movimentos como se estivesse <strong>ordenhando o desenho</strong>. Surge o texto:</p>
<p class="indent">&#8230;na qual o principal objetivo era&#8230;</p>
<p>Monge 1, exaltado, para o Monge 4 — O que você está fazendo aí? Estamos atrasados na preparação do café da manhã!</p>
<p class="indent">Monge 4 — Vocês não me mandaram buscar leite?<br />
Monge 2 — Sim! E você está aí, nos insultando?<br />
Monge 1 — É? Ordenhando uma pintura de uma vaca?<br />
Monge 2 — Você não sabe a diferença entre uma vaca real e uma imaginária?<br />
Monge 4, completamente calmo — Vocês não me mandaram buscar leite?</p>
<p>Silêncio. O monge 4 exibe a tijela cheia de leite, que, aparentemente, saiu do desenho na parede. Os monges ficam atônitos. </p>
<p class="indent">&#8230;questionar tudo&#8230;</p>
<p>Vemos <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Shantideva" target="blank" rel="rel">um Monge solitário</a> num quarto minúsculo, sujo e mal iluminado. Ele sussurra, enquanto escreve num pedaço tosco de papel:</p>
<p class="indent">— Todo sofrimento do mundo vem de procurar prazer para si mesmo. Toda felicidade vem de procurar prazer para os outros.</p>
<p class="indent">&#8230; Absolutamente tudo.</p>
<p>O monge parece estar com frio. Agora podemos perceber que a parede do seu quarto tem um buraco, por onde passa vento gelado. O Monge enrola o papel no qual acabou de escrever. Depois de alguns ajustes na drobradura, usa o material para tapar o buraco. A câmera se afasta e podemos ver que o monge deve ter feito a mesma coisa antes, centenas de vezes. A parede está cheia de papéis fechando rachaduras.</p>
<p>Voltamos para as vozes. Mas agora vemos um pátio lotado de Monges debatendo. Parecem gritar ritualmente uns com os outros. À medida em que a câmera se aproxima, podemos ouvir alguns dos diálogos:</p>
<p class="indent">Monge em pé <em>(mostrando uma das mãos para um monge sentado)</em> — Quando você olha para sua mão, você comete 3 erros: acha que ela é a mesma de ontem, que é uma coisa só, em vez de várias partes interrelacionadas e que&#8230; <em>(não conseguimos ouvir o resto da fala)</em>.</p>
<p>Agora vemos uma panorâmica de um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nalanda#Gallery" target="blank" rel="rel">impressionante complexo de prédios</a>, cheio de templos, anexos e torres avermelhadas. Surge o logotipo do filme:</p>
<p class="indent">A Universidade.<br />
A história de Nalanda, o maior centro de estudos filosóficos da história da humanidade.</p>
<p>* * * * *</p>
<p>[tweet]Essa ideia vem cozinhando na minha cabeça faz tempo. É um filme que eu gostaria de assistir, se ele tivesse sido feito. Resolvi tocar no assunto porque li que <a href="http://is.gd/5kV34" target="blank" rel="rel">empresas estrangeiras baixaram na Índia e estão patenteando vários conhecimentos tradiocionais</a>: de receitas de sucos a posturas de Yoga. Espero que um dia não tenhamos que pagar direitos autorais para poder recitar textos budistas. De qualquer forma, talvez eu desperte alguma curiosidade sobre a incrível <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nalanda" target="blank" rel="rel">universidade de Nalanda</a> e seus alunos, digamos, fora do padrão.</p>
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		<title>Qual é o impacto ambiental do tedio?</title>
		<link>http://caosordenado.com/impacto-ambiental-do-tedio/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 19:43:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Os conceitos fazem mais estrago no planeta do que os motores]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://caosordenado.com/wp-content/2009/12/stalker.jpg" style="" alt="stalker" title="stalker"/>
<p>Quando falamos de sustentabilidade, sempre pensamos em árvores, animais, rios e emissão de carbono. Mas o que o Facebook, o sexo, o cristianismo, o tédio ou qualquer outra ideia tem a ver com isso? Muito. É que há pelo menos dois outros tipos de ambientes, além do físico:</p>
<p>• <strong>O ambiente emocional</strong> — que lida com as relações psicológicas que temos com nossos corpos, com as pessoas e com os processos do planeta. </p>
<p>• <strong>O ambiente cognitivo</strong> — os sistemas vivos próprios da linguagem, dos conceitos.</p>
<p>Os três são inseparáveis. Funcionam numa relação complexa e nada harmoniosa. Um sabota o outro, que responde com novos padrões de criatividade, destruição e reajuste. Por exemplo, o tédio não deixa de ter implicações ecológicas.<span id="more-851"></span></p>
<h3>Ecologia do tédio</h3>
<p>Explicando. Ao longo da história, criamos sinais culturais que chamamos de &#8220;tédio&#8221;. De modo geral, não pensamos neles. Apenas os detectamos por meio de outros sinais, que, nos últimos séculos, aprendemos a chamar de biológicos —agitação, ansiedade etc.</p>
<p>Como nossa sociedade desenvolveu o hábito de achar que é necessário combater o tédio, ligamos o computador —que precisa de energia para funcionar— e procuramos lazer. Assim, o tédio indiretamente influencia o ambiente físico. Agora multiplique isso por alguns bilhões de pessoas.</p>
<h3>Lazer virou obrigação</h3>
<p>Até há pouco tempo, alguns sociólogos tinham um nome para o período em que nos preocupávamos com tédio e lazer: <strong>tempo livre</strong>. Mas hoje &#8220;diversão&#8221; e &#8220;felicidade&#8221; se tornaram conceitos fundamentais para movimentar a economia. Por mais vagos que sejam.</p>
<p><strong>Lazer cada vez menos é aquilo que se opõe ao trabalho.</strong> A busca por lazer se tornou algo onipresente. Pode permear até mesmo o espaço profissional, via procrastinação, coffee breaks ou ambientes considerados como modernos e amigáveis (estilo escritório do Google). Mais que isso, as ideias de conforto e lazer viraram questão de saúde pública.</p>
<p>Assim, podemos até pressionar empresas e governos para diminuir suas taxas de emissão de carbono. Mas não podemos ignorar o impacto ambiental dos conceitos. Não custa lembrar: boa parte dos problemas de sustentabilidade nasce da necessidade de atender aos padrões de consumo da classe média, em especial dos países ditos desenvolvidos.</p>
<h3>Fora de controle</h3>
<p>Mas meu ponto é outro. Acompanhe o raciocínio.</p>
<p>Nossa relação com o ambiente cognitivo se baseia em níveis muito profundos de hábitos culturais. <strong>Geralmente, não conseguimos sequer detectar o quanto somos escravos da linguagem.</strong></p>
<p>Agora considere outra coisa. Alguns cientistas afirmam que, afinal, temos pouco controle sobre o planeta. Por exemplo, <a href="http://www.withouthotair.com/" target="blank" rel="rel">pesquisas indicam</a> que talvez o homem não seja exatamente o principal causador do aquecimento global. A Terra tem ciclos que mal começamos a compreender.</p>
<p>Ligue os pontos: sabemos relativamente pouco sobre os três tipos de ambientes, tanto o emocional quanto o físico e o cognitivo. Mas ainda estamos destinados a arriscar e sofrer as consequências. O que nos faz agir como um cachorro que corre atrás do próprio rabo.</p>
<p>Criamos novos conceitos de conforto e lazer que, aos poucos, se tornam indispensáveis. Estes produzem um custo ambiental, que cria novos problemas e novas necessidades de padrões de conforto.</p>
<h3>Ambiente das ideias</h3>
<p>Em essência, o ambiente dos humanos é a linguagem. Ela filtra e determina todas as nossas experiências. Todas. Não pode haver um ambiente mais instável do que esse. Portanto, as ações ambientalistas precisam considerar a imensa bolha de incertezas existenciais e emocionais em que vivemos. Até que ponto a cultura do lazer e do conforto é sustentável? Cedo ou tarde, os <a href="http://en.cop15.dk/" target="blank" rel="rel">acordos de Copenhagen</a> vão precisar chegar aos nossos sofás e desktops.</p>
<p>Imagem: <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Stalker_%28film%29" target="blank" rel="rel">Stalker</a>, de Andrei Tarkovksky.</p>
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		<title>O dia em que atiraram num dramaturgo</title>
		<link>http://caosordenado.com/o-dia-em-que-atiraram-num-dramaturgo/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 21:51:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Rápido texto de ficção em homenagem ao escritor Mário Bortolotto]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://caosordenado.com/wp-content/2009/12/mariao.jpg" style="" alt="Mario Bortolotto" title="Mario Bortolotto"/>
<p>Sem querer dar uma de blog-uruca, que só fala sobre desgraças, hoje tenho que esbarrar no assunto novamente. É que um amigo que não vejo faz algum tempo foi baleado. Trata-se do dramaturgo <a href="http://atirenodramaturgo.zip.net/" target="blank" rel="rel">Mário Bortolotto</a>. Pelas <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u662385.shtml" target="blank" rel="rel">notícias</a>, parece que ele está no hospital, se recuperando. Marião, sei que não significa muito, mas em sua homenagem, vou publicar o primeiro texto de ficção que escrevi em cerca de 6 ou 7 anos. Fico torcendo por você aqui.</p>
<h3>Não é possível tomar partido por muito tempo</h3>
<p>Um tímido sol apareceu entre duas ou três sombras de prédios da Sta. Cecília. Ele funciona como uma espécie de outdoor, lembrando certas pessoas de que não há nada mais a fazer senão tomar um pingado, devidamente pendurado em alguma conta, e ir pra casa dormir.</p>
<p>Mas não naquela manhã.</p>
<p>Eu vigiava de longe, enquanto o dramaturgo enxugava as últimas gotas do seu café. Ele olhava o fundo do copo, como que tentando achar uma borra para ler o destino. Afinal, seu destino era quase que esse mesmo: tentar criar interpretações e narrativas a partir de borras de gente e situações.</p>
<p>O dramaturgo encostou a boca do copo nos olhos e ficou olhando as pessoas através do vidro. Deve ter visto uma figura distorcida, que entrava entre convicto e hesitante, puxando algo de dentro da jaqueta. Assim que o copo americano se espatifou no chão, o dramaturgo teve tempo de encontrar uma descrição para o que havia acabado de acontecer: fora baleado.<span id="more-836"></span></p>
<p>Cambaleou, segurou no balcão. Alguém deve ter ficado desesperado. Deve ter havido gritaria. É assim que as coisas funcionam. Mas eu não perdi tempo reparando nisso. O atirador apenas segurou o dramaturgo como quem conduz um aristocrata ao melhor assento do teatro. E sussurrou (acho):</p>
<p>— Eu atirei porque você nunca foi capaz de criar um personagem realmente mau. Que espécie de cético você é que não consegue acreditar em gente como eu?</p>
<p>Atordoado, segurando o ferimento, que parecia latejar em algum lugar do ombro esquerdo, o dramaturgo não sabia se deveria fugir. Poderia ser pior? Quer dizer, na hora o pensamento não era tão racional assim (acho). Mas, você sabe, milagrosamente fazia algum sentido. O dramaturgo talvez tenha achado melhor dizer a verdade:</p>
<p>- Não sei.</p>
<p>Pensando agora, imagino que uma muvuca foi se formando em volta da situação.  Mas você acha que eu iria reparar nisso? Não ouvi um só ruído. Apenas o atirador dizer algo como:</p>
<p>- Não faz sentido.<br />
- Não?<br />
- É. Eu li tudo o que você escreveu. Não há um único personagem realmente ruim.</p>
<p>O dramaturgo tossia e aparentava estar prestes a desmaiar. Mas aí estava um comentarista que ele não tinha como mandar para a blacklist. O que você faria? Eu agiria como o dramaturgo e responderia algo:</p>
<p>- Não sei. Acho que também nunca criei um personagem realmente bondoso.<br />
- &#8230;<br />
- Quer dizer, realmente não sei.</p>
<p>O atirador começou a perceber a situação em que estava metido, mas já que estava ali, resolveu insistir:</p>
<p>- Que espécie de cético você é? Diga?</p>
<p>O dramaturgo quase não tinha mais forças e vinha concedendo-se o privilégio do desmaio:</p>
<p>- Acho que eu sou algum tipo de preguiçoso, entende? Algo assim&#8230; Crime e salvação são coisas que&#8230; Quer dizer, são coisas pra pessoas muito diligentes.<br />
-&#8230;<br />
- Eu só vejo as coisas passarem e&#8230; desaparecerem. Eu falo, mas, na maior parte do tempo, prefiro rir, ou beber, ou sei lá. É como se fosse um delírio, ou um desses filmes antigos, no qual você consegue perceber o espaço entre a passagem dos frames. Entende? Eu não tenho tanta força de vontade&#8230;</p>
<p>O braço direito escorregou pelo balcão. O dramaturgo estava a caminho de apagar. Mas ainda disse (acho):</p>
<p>- Não sou diligente. Não como você. É preciso muito esforço para ser bom ou mal. Esforço&#8230; demais.</p>
<p>[tweet]A partir daqui, não me lembro quem desmaiou antes. Eu? O dramaturgo?</p>
<p>Você não acha que eu perderia meu tempo reparando nisso, não é?</p>
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		<title>Morrendo on-line</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 21:30:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Se a internet vem mudando a vida, por que não influenciaria a morte?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://caosordenado.com/wp-content/2009/12/morte.jpg" style="" alt="morte" title="morte"/>
<p>O folclórico locutor do SBT conhecido como Lombardi <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u660674.shtml" target="blank" rel="rel">morreu hoje</a>. Obviamente, surgiram piadas e &#8220;homenagens irônicas&#8221; no Twitter, Orkut e Facebook. Havia quem perguntasse: quantos minutos vai demorar para aparecer um falso Lombardi no Twitter? Outros diziam que &#8220;com a morte de Lombardi e de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Herbert_Richers" target="blank" rel="rel">Herbert Richards</a>, nossa infância se foi&#8221;. São as velhas piadas de velório, agora com uma hashtag (#) na frente. <span id="more-816"></span></p>
<h3>Memória virtual</h3>
<p>Recentemente, um jovem ativista brasileiro morreu. Alguns amigos escreveram um artigo sobre ele para a Wikipedia. Agora <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/link/?title=artigo_da_wikipedia_sobre_daniel_padua_c&#038;more=1&#038;c=1&#038;tb=1&#038;pb=1" target="blank" rel="rel">lutam para que o texto seja definitivamente aprovado</a>. Para alguns editores da enciclopédia, o rapaz não era suficientemente &#8220;relevante&#8221; para virar verbete. E segue-se todo um debate sobre o que leva Lady Gaga a estar na Wikipedia e o ativista não.</p>
<h3>Lápides eletrônicas</h3>
<p>Outras pessoas morrem e deixam perfís em redes sociais, que viram tumbas on-line, nas quais os amigos passam para deixar mensagens. Muitos deles não teriam tempo, paciência ou condições de visitar um cemitério. Porém, <strong>um perfil abandonado parece um retrato mais vivo de um falecido</strong>. É como juntar vida, obra e relacionamentos num local, digamos, mais acessível e dinâmico.</p>
<h3>Vida após a morte</h3>
<p>Assistimos a outra atualização da ideia de posteridade. Agora a memória do falecido permanece registrada em bancos de dados para ser consumida e ressignificada. Se suas convicções religiosas não permitem o luxo de um Céu, agora há pelo menos a esperança de uma existência nas nuvens (Cloud Computing). Assim, a divulgação e a assimilação social on-line da morte também segue a lógica da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Cauda_Longa" target="blank" rel="rel">cauda longa</a>.</p>
<div id="destaquebranco">Na morte cauda longa, o Ad Sense pode aparecer num canto da página</div>
<h3>Morte na cauda longa</h3>
<p>Isso vale tanto para as homenagens quanto para as piadas de velório. Afinal, a morte também é um fenômeno de comunicação. Na história, cada sociedade reinventa constantemente seus rituais para comunicar e assimilar a ausência de alguém. E, nesse caso, ausência é um conceito muito vago. Sempre mudamos o status social do falecido de acordo com nossos interesses contextuais. Realinhamos memórias e mitos que serão contados às —ou escondidos das— futuras gerações.</p>
<h3>Death Sense</h3>
<p>Tradicionalmente, a notícia da morte também é um fenômeno político e econômico. Precisamos avisar o Estado, comprar flores, pagar cemitérios, impostos etc. Mas, na morte cauda longa, há o <a href="https://www.google.com/adsense/login/pt_BR/" target="blank" rel="rel">Ad Sense</a>. Faça você piada ou homenagem, um anúncio pode aparecer no canto da página. &#8220;Clique aqui e compre seu jazigo&#8221;.</p>
<p>E assim a vida continua.</p>
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		<title>Processador de texto antiestresse</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 15:01:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[aplicativos]]></category>
		<category><![CDATA[texto]]></category>
		<category><![CDATA[vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[Escreve textos new-age? O Ommwriter é o programa ideal para você]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="720" height="450"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=7793336&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=1&amp;color=FF7700&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=7793336&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=1&amp;color=FF7700&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="720" height="450"></embed></object></p>
<p>Não há muito o que inovar na área de processadores de textos, certo? Errado. Os desenvolvedores do <a href="http://www.ommwriter.com/" target="blank" rel="rel">Ommwriter</a> inventaram o aplicativo ideal para escritores estressados. A ideia é criar todo um ambiente calmo e inspirador para soltar a criatividade. Veja acima. Não sei porque, mas acho que isso funcionaria melhor no Excel e Outlook.</p>
<p>via <a href="http://www.cultofmac.com/review-ommwriter-text-editor/21903" target="blank" rel="rel">Cult of Mac.</a></p>
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		<title>Memepool versus Twitter</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 13:36:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[rede social]]></category>
		<category><![CDATA[twitter]]></category>

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		<description><![CDATA[Site com textos curtos e curadoria de links? Não estamos falando do Twitter, mas do Memepool. Lembra?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://caosordenado.com/wp-content/2009/11/dilbert.gif" style="" alt="dilbert" title="dilbert"/>
<p></ br></p>
<div class="column2"><strong>Memepool &#8211; </strong>Desde de a Era TCP-IP-olítica, os sites que fazem curadoria estão entre os mais populares da internet. São publicações cujo principal objetivo é descobrir e compartilhar links. Alguns dos mais visitados existem há cerca de 10 anos —como o <a href="http://boingboing.net/" title="Boing Boing">Boing Boing</a> e o <a href="http://slashdot.org/" title="Slashdot - News for nerds, stuff that matters">Slashdot</a>. Mas, de 1998 a 2008, o <a href="http://memepool.com/" target="blank" rel="rel">Memepool</a> reinava entre os geeks mais puristas. Ele trazia algo que até então era novidade: posts extremamente curtos, quase alí, nos tais 140 caracteres. O site ainda está no ar, mas não é atualizado há um ano. Um dos fundadores, Joshua Schachter, continua <a href="http://joshua.schachter.org/" target="blank" rel="rel">escrevendo</a>. Já <a href="http://smokingrobot.com/" target="blank" rel="rel">Jeff Smith</a> aparentemente sumiu.<br />
<strong>Twitter &#8211; </strong>Semana passada, os criadores do Twitter mudaram o slogan do site: de &#8220;o que você está fazendo?&#8221; para &#8220;o que está acontecendo?&#8221;. Essa alteração oficializou aquilo que já sabíamos: boa parte dos usuários do Twitter usa a ferramenta para fazer curadoria de links (<a href="http://www.steverubel.com/the-next-big-trend-its-all-about-curation" target="blank" rel="rel">a nova moda do futuro</a>). Em especial, porque o formato textos curtos + agilidade de publicação e discussão, tende a ser divertido, pelo tom descompromissado de conversa de boteco. Muitos perfís no Twitter se tornaram parecidos com aquilo que foi o Memepool. Será que o site voltará um dia?</div>
<p><small>Nova seção no Caos Ordenado: <strong>Pré-pós</strong>. A ideia é falar rapidamente de coisas tão velhas que parecem novas. Imagem via <a href="http://www.dilbert.com/strips/" target="blank" rel="rel">Dilbert.com</a></small></p>
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		<title>Krautrock, o renascimento da Alemanha</title>
		<link>http://caosordenado.com/krautrock-o-renascimento-da-alemanha/</link>
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		<pubDate>Sat, 21 Nov 2009 19:35:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[Documentário da BBC contextualiza o som de bandas como o Kraftwerk, Tangerine Dream e Can.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://caosordenado.com/wp-content/2009/11/kraftwerk.jpg" style="" alt="kraftwerk" title="kraftwerk"/>
<p>Eu já havia recomendado no Twitter, mas vale lembrar: <a href="http://www.bbc.co.uk/programmes/b00nf10k" target="blank" rel="rel">a BBC fez um documentário sobre o chamado Krautrock</a>. Esse é o apelido um tanto pejorativo usado por críticos musicais não-alemães para se referir a bandas germânicas tão diferentes entre si quanto Kraftwerk, Tangerine Dream e Can.</p>
<p>Basicamente, o programa mostra integrantes das bandas visitando bares e estúdios importantes para eles nos anos 70. E argumentando que sua música, de algum jeito, significava uma tentativa de exorcizar os demônios do pós Segunda Guerra Mundial.<span id="more-777"></span></p>
<p>Em alguns momentos, essa ideia me pareceu um tanto forçada. Não sou daqueles que acham que música precisa ter &#8220;explicações&#8221; outras além das musicais. <strong>A politização ou comportamentalização da música parece algo muito limitante.</strong></p>
<p><object width="640" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3B89-69icyc&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/3B89-69icyc&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"></embed></object><br />
(<a href="http://www.youtube.com/watch?v=4WuKiRGFHao&#038;feature=related" target="blank" rel="rel">Veja mais episódios do documentário no YouTube</a>)</p>
<p>Ainda assim, há pelo menos um momento bem interessante no vídeo. Um dos Kraftwerks explica como muitas das suas músicas lhe surgiram quase que &#8220;automaticamente&#8221; no cérebro.</p>
<p>O músico dirigia seu carro à toda velocidade numa das então novas autoestradas, as Autobans. E o barulho sequencial do vento batendo na janela surgiu na mente do músico como inspiração para criar rítmos eletrônicos e padrões melódicos repetitivos.</p>
<p>Membros do Neu!, Tangerine Dream, entre outras bandas, também dão depoimentos desse tipo. Novos padrões musicais e até instrumentos inusitados eram criados a partir de acidentes ou de experiências com objetos do cotidiano —valia até mesmo espancar um misturador de cimento.</p>
<p>Mostrar essa aleatoriedade, plasticidade e experimentalismo da mente é algo muito mais revolucionário e político do que apenas encaixar a música e a cultura em contextos sociais.</p>
<p>Não que esses fatores deixem de influenciar. Mas a mente é muito mais surpreendente do que isso. Enquanto tentamos explicar, ela continua a nos mandar trilhões de ideias por segundo, que violentamos, esmagamos e forçamos a encaixar numa aparente sequência de <strong>discursos vagos</strong> que julgamos coerentes —pelo menos por um tempo.</p>
<p>De qualquer forma, o documentário da BBC deve servir como uma boa introdução ao Krautrock. E uma possível alfinetada amiga nos fãs de David Bowie. Mas aí você precisa assistir ao vídeo para entender.</p>
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