Morrendo on-line
Se a internet vem mudando a vida, por que não influenciaria a morte?
O folclórico locutor do SBT conhecido como Lombardi morreu hoje. Obviamente, surgiram piadas e “homenagens irônicas” no Twitter, Orkut e Facebook. Havia quem perguntasse: quantos minutos vai demorar para aparecer um falso Lombardi no Twitter? Outros diziam que “com a morte de Lombardi e de Herbert Richards, nossa infância se foi”. São as velhas piadas de velório, agora com uma hashtag (#) na frente.
Memória virtual
Recentemente, um jovem ativista brasileiro morreu. Alguns amigos escreveram um artigo sobre ele para a Wikipedia. Agora lutam para que o texto seja definitivamente aprovado. Para alguns editores da enciclopédia, o rapaz não era suficientemente “relevante” para virar verbete. E segue-se todo um debate sobre o que leva Lady Gaga a estar na Wikipedia e o ativista não.
Lápides eletrônicas
Outras pessoas morrem e deixam perfís em redes sociais, que viram tumbas on-line, nas quais os amigos passam para deixar mensagens. Muitos deles não teriam tempo, paciência ou condições de visitar um cemitério. Porém, um perfil abandonado parece um retrato mais vivo de um falecido. É como juntar vida, obra e relacionamentos num local, digamos, mais acessível e dinâmico.
Vida após a morte
Assistimos a outra atualização da ideia de posteridade. Agora a memória do falecido permanece registrada em bancos de dados para ser consumida e ressignificada. Se suas convicções religiosas não permitem o luxo de um Céu, agora há pelo menos a esperança de uma existência nas nuvens (Cloud Computing). Assim, a divulgação e a assimilação social on-line da morte também segue a lógica da cauda longa.
Morte na cauda longa
Isso vale tanto para as homenagens quanto para as piadas de velório. Afinal, a morte também é um fenômeno de comunicação. Na história, cada sociedade reinventa constantemente seus rituais para comunicar e assimilar a ausência de alguém. E, nesse caso, ausência é um conceito muito vago. Sempre mudamos o status social do falecido de acordo com nossos interesses contextuais. Realinhamos memórias e mitos que serão contados às —ou escondidos das— futuras gerações.
Death Sense
Tradicionalmente, a notícia da morte também é um fenômeno político e econômico. Precisamos avisar o Estado, comprar flores, pagar cemitérios, impostos etc. Mas, na morte cauda longa, há o Ad Sense. Faça você piada ou homenagem, um anúncio pode aparecer no canto da página. “Clique aqui e compre seu jazigo”.
E assim a vida continua.
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